segunda-feira, 7 de julho de 2014

SOMOS


Somos vida
Somos sonho
Somos alma
Há sempre um mistério que nos ultrapassa...

Existe uma passagem para o infinito
Existe um corpo um olhar
Um sentir um coração para amar
Existe um silêncio, um grito!

(Rosa Resende)

Foto de: Isabella Rossilline

O espelho enche-se com a tua
imagem; e queria tirá-lo da tua
mão, e levá-lo comigo, para
que o teu rosto me acompanhe
onde quer que eu vá.
...

Mas sem ti, o espelho
fica vazio; e ao olhá-lo, vejo
apenas o lugar onde estiveste, e
os olhos que os meus olhos procuram
quando não sei onde estás.

Por que não fechas os olhos
para que o espelho te prenda, e
outros olhos te possam guardar,
para sempre, sem que tenham de olhar,
no espelho, o rosto que eu procuro?

 (Nuno Júdice)

Arte de: Francine Van Hove

PELAS FLORES QUE NÃO TE DEI...


Pelas flores que não te dei...
Aguardo-te ao luar
e no céu dos sonhos
colherei as estrelas para ti....


( António Carlos Santos) - Poema do livro: "da Geometria do Amor. 



PALAVRAS DE SANGUE


O poeta que nasce é uma criança parida em água torturada uma nave que surge uma nuvem que dança ao mesmo tempo livre e condensada.
O poeta que nasce é a matança da palavra demente e enjeitada que o chicote do poema torna mansa depois de possuída e mal amada.
Quando o poeta nasce a madrugada aperta os versos num abraço rouco até que a noite fique esvaziada.
E enquanto das palavras pouco a pouco surge a forma perfeita ou agitada no mundo morre um deus ou nasce um louco.


(José Carlos Ary dos Santos)

Arte de: Barbara Bezina

Há feridas que sangram sem sangrar
Sangue que jorra e se transforma em flor
Rosas que são gotas de orvalho
Espelhos da minha imaginação
Que se transfiguram no meu amor por ti....

Quando o tempo amainar, e o mar ficar raso
Haverá uma praia, um mar dentro de mim
Haverá um tempo para o amor e o mar.
Navegaremos juntos
O meu mar está dentro de ti.

(António Alves)


Foto de: Noells S. Oszvald

Quando aqui não estás
o que nos rodeou põe-se a morrer

a janela que abre para o mar
continua fechada só nos sonhos...

me ergo
abro-a
deixo a frescura e a força da manhã
escorrerem pelos dedos prisioneiros
da tristeza
acordo
para a cegante claridade das ondas

um rosto desenvolve-se nítido
além
rasando o sal da imensa ausência
uma voz

quero morrer
com uma overdose de beleza

e num sussurro o corpo apaziguado
perscruta esse coração
esse
solitário caçador

(al berto)

Todas as manhãs, é a saudade que me acorda. Sei que não deixo os sonhos na cama, por virem resgatados, tal como eu, na pele que me veste - Quem disse que os sonhos apenas chegam na adormecida noite? Procurem.nos, encontrem.nos, por aí a deambular durante o dia... 

E todas as manhãs passamos a acordar a saudade.
 
( Luís Santos)