quarta-feira, 31 de maio de 2017

NO UNIVERSO DOS SENTIDOS


Não sei dizer-te muita coisa…
sinto que há palavras que me tombam quando chegam à boca
como se a morte me espreitasse, como um destino inexorável
do qual não pudesse regressar
por isso as engulo sem saliva
ficando no silêncio mudo do meu corpo
esperando-te.
Outras fogem-me aos soluços como um lamento ou uma alegria breve
tão breve como a palavra
tão sentida como um beijo, uma caricia
aí desfaz-se a mudez e, por instantes, abre-se o sorriso
ao mundo.
Depois ainda as outras que me mantêm cativa…
essas escorregam-me pelo corpo como uma flor que se desfolha
quantas vezes consentida corola desnuda
perpetuando a nudez pelo universo do quarto
em crescente…
Não sei dizer-te muita coisa
Na verdade, não sei se alguma vez te soube dizer alguma coisa em palavras
Ou se apenas as sentiste.

(Teresa Brinco de Oliveira)

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