quinta-feira, 20 de julho de 2017

PRECE


Dá-me a lucidez das correntezas
para que eu descubra
entre as tristezas que se
avolumam algum
sorriso mesmo
que não seja para mim.

Dá-me a serenidade de uma
estrela para que eu imagine
entre as lágrimas que não
me deixam qualquer
paz ainda que breve.

Dá-me a claridade das
luas cheias para que eu invente
entre as angústias
que se esparramam um
horizonte mesmo
que se transmutem em ilusão.

Dá-me a esperança das
árvores para que eu teça
entre as ausências que se
intensificam uma sanidade
ainda que estofada de delírio


(Adair Carvalhais Júnior)
Photography: Natalia Drepina

O QUE EU QUERO


Não tenho paciência para ouvir os outros, não tenho paciência para viver,
 não tenho paciência para morrer, estou aqui, parada, num desequilíbrio interminável, 
nunca mais acabo de cair, irrito-me se me falam, sofro se me não dizem nada,
 odeio o gesto caridoso: a mão de alguém nos meus cabelos, 
o que eu quero é uma voz que me queira, 
 um momento de descanso nessa voz. 


Rui Nunes
Arte de: David Graux



É já tempo de não esperar ninguém. 
Passa o amor, fugaz e silencioso 
como ao longe um comboio noturno
 Não resta ninguém, é hora 
de voltar ao desolado reino do absurdo, 
a sentir culpa, ao vulgar medo
 de perder o que já estava perdido.
 À inútil e sórdida moral.
 É já hora de dar por vencido no trabalho,
 a sós, outro Inverno. 
Quantos faltam ainda, e que sentido
 tem esta vida onde te procurei, 
se chegou já a hora tão temida
 de comprovar que nunca exististe? 


(Joan Margarit)-tradução de Vasco Gato)

Photography: Paulo Laureano

quarta-feira, 12 de julho de 2017


Meu coração ainda se atreve a desejar, e minha vontade ainda ousa uma esperança.

(Tristão e Isolda])- Filme

Photography: Jo Alison Feiler


Como se o Amor
tivesse início na promessa
dos teus olhos
do teu corpo...
.
...
E a inventada primavera,
nos teus beijos,
fizesse propagar sol
e calor...
.
Assim é o Paraíso dos
sentidos, que
se deixa aprisionar na tua voz,
e o encantamento
dos sorrisos
que moram no meu peito à tua espera...
.

(Margarida Afonso Henriques)

Photography: Nishe


Por vezes
Gostaria de me desvestir
De mim

Jogar para longe
...

A pele
Que me tolhe
A alma


(Milem Ésoj 05.12.2014)

Photography: Anka Zuravleva


Onde estão as palavras?
Por que elas se despediram prematuramente de mim?
Silenciaram, por medo?
Quero poder ouvi-las novamente. Quero poder senti-las uma vez ainda.
Estou aqui. Permanecerei aqui, à espera do seu retorno, nesta mesma morada, onde um dia a minha imaginação também encontrou abrigo e proteção.

(Alexandre Rubenich)