quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
trata-me bem mesmo que não mereça …
alisa-me com dedos que me tocam
des amarrota-me
assim devagar
des enruga um coração de rebuçado encarnado...
alisa-me
des embrulha-me com dedos ásperos
trata-me bem
agora
mesmo que eu não mereça
adoça os teus lábios na minha cor
des faz-me devagar
toca-me, canta-me!
alisa-me em beijos
acaricia-me agora
vês como está desbotado?
vês como vai ganhando a tua cor?
des amachuca-me!
embrulha-me no teu papel enrugado
cola-me a ti...
com beijos de doçura
não me deixes cair
segura-me devagar
levanta-me!
alisa-me...
pinta-me a tua cor!
trata-me bem... agora!
mesmo que eu nada mereça
des amachuca-me
mesmo que me enrugue
mas
trata-me bem... mesmo que eu não mereça
é só --- quando mais preciso!
diluí-me
toca-me
embrulha-me
recolhe-me
e
leva-me contigo
(TMQueiroz)
Photography: Many Merlo
Photography: Many Merlo
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
MODO DE AMAR IX
Enlaçam as pernas
as pernas
e as ancas
as pernas
e as ancas
o ar estagnado
que se estende
no quarto
que se estende
no quarto
As pernas que se deitam
ao comprido
sob as pernas
ao comprido
sob as pernas
E sobre as pernas vencem o gemido
Flor nascida no vagar do quarto.
(Maria Teresa Horta)
(Maria Teresa Horta)
Arte de: Nicoletta Tomas Caravia
CALAM-SE AS PALAVRAS
Calam-se as palavras
Quando num beijo,
A minha boca, a tua encontra.
Esquecem-se as palavras
Quando num abraço,
O meu corpo, tornas o teu.
Como é simples o silêncio
Dos gestos que trocamos.
(Encandescente)
NÃO QUERO VIVER SEM TI
Não quero viver sem ti
mais nenhum tempo.
Nem sequer um segundo
do teu sono.
Encostar-me toda a ti
eu não invento.
Tu és a minha vida
o tempo todo.
(Maria Teresa Horta)
VOLÚPIA
No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,...
Dou-te o meu corpo prometido à morte!
A sombra entre a mentira e a verdade…
A nuvem que arrastou o vento norte…
- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!
Trago dálias vermelhas no regaço…
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!
E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Finalmente, em voluptuosas danças…
(Florbela Espanca)
No meu poema ficaste
de pernas para
o ar
(mas também eu
já estive tantas vezes)...
Por entre versos vejo-te as mãos
no chão
do meu poema
e os pés tocando o título
(a haver quando eu
quiser)
Enquanto o meu desejo assim serás:
incómodo estatuto;
preciso de escrever-te
do avesso
para te amar em excesso
(Ana Luísa Amaral)
Photography: Ludovic Florent
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