segunda-feira, 19 de outubro de 2015

TENTATIVAS



Tentei escrever amor, com as letras mais simples.
Consegui apenas uma tormenta de conjugações.




(José Luís Outono) - in Marginálias : poemas


Editora, Edita-me Editora 2015

MAR IRMÃO



O mar ensinou-me um
dizer agitado. Talvez um acto directo e simples
de uma razão herdada....
O mar é o meu irmão
de viagens, em azimutes perdidos ou sonhados,
quantas vezes sintonias impossíveis
de azuis nebulosos.
O mar é um pulmão de vontades,
onde ausculto sedes e bebo marés sem paradigmas
ou teses editadas.
Hoje, gostaria que mergulhasses em mim...


(José Luís Outono) - in Marginálias : poemas

Editora, Edita-me Editora 2015
Arte de: Aldo Rojas 


Milhares e milhares de palavras vagueiam pela mente humana. O pensamento é a fonte produtora delas. Se exploradas e organizadas, certamente farão com que o vazio da alma seja preenchido.



(Joel Alves Bezerra)


Não digas nada, dá-me só a mão. Palavra de honra que não é preciso dizer nada, a mão chega. Parece-te estranho que a mão chegue, não é, mas chega. (…) Se calhar sou uma pessoa carente. Se calhar nem sequer sou carente, sou só parvo.



(António Lobo Antunes)


Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos.



(Miguel Sousa Tavares)


para não morrer de espanto, para poder com isto, para não ficar só e doido, é que inventei a insignificância, as palavras 



(Raul Brandão)

As pessoas dão demasiada importância à primeira vez. 

E a última vez? 

Ninguém pergunta pela última vez....

A última. 

A última de todas.

A última das últimas. 

A última depois da qual não há mais nenhuma. 


(Pedro Mexia)