quinta-feira, 26 de março de 2015

NÃO SOU...


Não sou prisioneira do tempo
Nem ancoro meus sonhos
No solo árido da minha vida medíocre....

Deixo meus olhos flutuarem
Entre céus e infernos
Que a poesia me leva.
Procuro a jóia rara
De um sorriso único
Repleto de angústia e surpresa.
Navego obscura entre
meus medos e meus desejos
sem ter certeza de nada.
Que venha a vida, então,
E penetre em mim
Como um punhal
Rasgando minhas dúvidas
Cortando as amarras
Que me prendem ao possível.
Pertenço a quem me possuir,
Sou do mundo.
Sou minha vida.
Sou o espelho do que jamais serei.
 
(Cláudia Marczak)
Arte de: Steve Hanks

BEIJO A BEIJO


E de novo a armadilha dos abraços. ...
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada de carícias.
As preces, os segredos, as risadas
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.
Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e silêncios
a ecoar no som dos precipícios.
E tudo o que me dás eu te devolvo.
E fazemos de novo, sempre novo
o amor total dos deuses e dos bichos.
 
(Rosa Lobato Faria)- in 'Dispersos'


Nunca quebres o silêncio se não for para o melhorar.
 
(Ludwig Van Beethovan)
 
Quando tornar a vir a Primavera
Talvez já não me encontre no mundo.
Gostava agora de poder julgar que a Primavera é gente
Para poder supor que ela choraria,
Vendo que perdera o seu único amigo....

Mas a Primavera nem sequer é uma cousa:
É uma maneira de dizer.
Nem mesmo as flores tornam, ou as folhas verdes.
Há novas flores, novas folhas verdes.
Há outros dias suaves.
Nada torna, nada se repete, porque tudo é real.
 
(Alberto Caeiro)

AMEI!


Amei mais do que pensei que um dia iria amar, amei menos do que muitas vezes pensava que amava. Mas amei. Intensamente. Perdidamente. Profundamente. Sedutoramente. Como só os apaixonados o sabem fazer. Amei em luz, em momentos breves, em pura tranquilidade e inarráveis desassossegos. Amei em silêncios e em júbilo. Amei e flutuei em tempo apaixonante, em tempo de música espalhada pelos nevoeiros, pelos ecos do vento, pela hostilidade dos mares, pelo adormecimento dos mesmos quando, como bilros rendilhados e adormecidos, ficam na praia a beijar areias, pedras, conchas e pés. Amei mais do que pensei que um dia amaria. Amei na saudade. Na distância, no desespero, nos desvarios dos reencontros. Amei quando foste o meu Sol e o riso da minha Vida.
 
(Maria Elvira Bento)

 
Os amores desta minha vida,
Foram poucos, mas escaparam,
Por entre os dedos...
Como água.
Como se eu não merecesse.
Se me calo, invalido o que vale a pena ser dito!
Se falo, receio que o começo... Chegará ao fim.
E nesta solidão vou ter ao vivo e a cores...
Toda a minha esperança jogada fora.
Sonhar não se paga imposto.
Sei que errei em meus sonhos, não contabilizei:
Que amar tem que ser a dois...
Se curtindo...
Se apaixonando...
Joguei pelo ralo o que não soube valorizar!
Tenho a lembrança que me deixaste...
Isto já é o bastante.
 
(MJSpeglich)

domingo, 8 de março de 2015

SOU MARIA. SOU CAPAZ


***Dedico a todas as Mulheres***
 
 
Sou Maria. E sou capaz. Sou capaz de amar depois das trevas. Sou capaz de continuar a amar sem barreiras, mesmo depois de me ter esfacelado num amor impróprio. Sou capaz de amar sem medos de todas as poucas vezes que me entrego. Sou capaz de acreditar que voltarei a ser feliz. Sou capaz de ir à luta por mim. Sempre!
Sou Maria. E sou capaz. Sou capaz de me levantar de todas as vezes que caio. De me equilibrar sempre que tropeço. Sou capaz de fazer malabarismos com problemas e encestar soluções. Sou capaz de ser forte mesmo quando me penso fraca. De erguer a cabeça e olhar o mundo de frente. Sempre!
Sou Maria. E sou capaz. Capaz de dar um ombro quando me apetecia ter o colo. De engolir o choro para roubar as lágrimas a quem gosto. De apertar num abraço o outro, quando sou eu que me desfaço aos poucos. De ajudar a levantar, quando sou eu que estou sentada no chão. Sempre!
Sou Maria. E sou capaz. Sou capaz de sonhar novos sonhos, quando os antigos viram pesadelos. Sou capaz de inventar um sorriso e enfrentar os meus medos. Sempre!
Sou Maria. E sou capaz.
Capaz de viver.
Sempre.
 
(Rita Leston)