quarta-feira, 4 de setembro de 2013

As rosas - Sophia de Mello Breyner Andresen -


A PARTILHA


 Dá-me um pouco da tua luz
da tua esperança
Partilha comigo o teu suave
sorriso
Deixa-me recebe-lo sem olhar
E ensina-me o doce jeito de amar

Dá-me um pouco do teu querer...

Deixa-me viver esse teu fervor
Partilha comigo essa felicidade
Própria da tua idade
Quando se saboreia um amor

O teu sorriso tem a cor do morango
Ternura e a frescura da manhã
solarenga
Como se fosse uma bênção
Que nos eleva no espaço
com uma força tremenda

A vida não espera por nós
Apenas nos deixa o caminho
e o luar
Se soubermos ser livres para amar

(paxiano)
Pintura de: Bruno Di Maio

SOMOS PARTE DO MISTÉRIO


 Busquei teu rosto pelo lado
das estrelas
O teu perfume pela flor
das acácias
Caminhos da tua presença
Rastos de uma ausência
Sinais visíveis encontrados
Presentes vindos doutros lados...


Busquei o teu crepúsculo
emoldurado
Num horizonte quase perdido
Sonho perfeito quase acabado
Presente num corpo erguido
Que se esfumou no outro lado

Fazemos parte desse mistério
Que junto carregamos
Subimos, descemos e cansamos
Sempre de sonhos carregados…
Mas pela viagem porfiamos

Somos peregrinos já cansados
Presos aos sons doutros lados

(paxiano)
Escultura de: Richard MacDonald

AMA-ME COMO EU SOU OU NÃO ME AMES...


 Vivo o momento
Livre como o vento...
O amor da vida
Carisma e aventura...

O amor com liberdade
No entanto com muita lealdade

Sou sonhadora
Desejo voar como os pássaros
Em asas de carinhos e abraços

Sou uma ilha no mar do tempo
Abraço o sol
Respiro a chuva
Adormeço com a lua

Amo os anjos, o mistério, o esoterismo
O céu e as estrelas
A fragrância das flores e suas cores
O mar...
E as suas ondas
Rebeldes e calmas
Olha-me nos olhos
E sente-me
Toca-me na alma
E ama-me
Só assim
Serei tua...

Para amar nem sempre é necessário estar por perto
Mas sim, viver dentro do coração...

(Paula OZ) Poema do livro: Alma Viajante

OBTUSO


 Sinto o corpo seco de desejo
Nem o teu aproximar me inspira transpiração
As minhas mãos ficaram mudas de carícias...

E os meus lábios ausentes de beijos
Todo o meu corpo é um rio de leito abandonado
E o meu pensamento um mar de areias desérticas
Pergunto-me, no silêncio dos meus medos
Qual o caminho obscuro da minha existência…

Autor. A.C. 25 / 08 / 13
Pintura de: Danilo Ricciardi

NÃO CHORES POR MIM


 Não chores por mim, nem de alegria
Eu nunca irei gostar, de te ver chorar
Se te disser coisas más, não sou eu...

É o momento que me faz falar assim
E se não for o que esperas de mim
É porque não sei os teus desejos
Se me amas, como eu vejo que me amas
Não chores por mim, nem de alegria

(Autor. A.C.) -  26 / 08 / 13

Diz-me,
Se o meu olhar é aquele que te ama
Porque foges, sabendo a minha angústia?

Diz-me,...

Se me sentes, e em ti guardas o beijo das palavras
Porque choram as minhas lágrimas?

E as mágoas?
Se as ouves e não as derrotas?

É a dor, emoção, o receio de me condenar ou absolver?
[pensas tu, para me esquecer]

Quem, quem?
Quem entende o meu presente e ampara o meu passado
O coração sufocado, a saudade no peito cravado?

Estou cansada, amargurada, deste amor calado, sem grito
Da distância, do silêncio, da incoerência que faz sofrer
E se o nada é tudo, as estrelas serão veludo, onde me deito, o infinito
[ para não morrer]

E quando acordo, já o sol é escuridão e para ti, eu escrevo...

Perco-me sem destino, o coração é teu
[a alma chora que és meu]
Respira o perfume que aqui deixo, as rosas caem do céu

O poema com alento, não me mata, mas sustenta, alimenta-me
[e só tu saberás decifrar-me]

O amor, chamo-o pelo teu nome
O teu nome, a minha fome

(Paula Oz)