terça-feira, 3 de setembro de 2013

BREVE ENCONTRO


Fez-se silêncio!...
Um raio de luz
Trouxe o embaraço de emoções

Só o brilho dos teus olhos
Escondeu o espanto
Da bruma que corria na noite fria
...

Até o chispar da lareira
Denunciava o momento
A quem esperava e... não sabia

Depois a noite caiu
Sem o mínimo alarido
Próximo da camélia que crescia
E um suave sorriso
Brilhava mais do que dizia

Entretanto o silêncio voltou
Ao encontro dos nossos corpos
As palavras acabaram-se...
No olhar, sem querer
E tanta coisa bela... ficou por dizer!

(paxiano)

O TEU SORRISO



Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria. 
 
(Pablo Neruda)

SEM MAIS PALAVRAS


 Este é um desabafo…com poucas e sentidas palavras
Perdi-as quase todas…nas noites sem madrugadas
Vazias de tudo…mas cheias de inexpressivos nadas
esgotaram-se nas noites solitárias que esperei calada...

Clamei por ti desesperada … e tu ao largo passavas
Cansei de em vão te esperar…percorrendo só e parada
a mesma calçada …o mesmo percurso a saber a nada
Agora é tarde para aprender de novo a andar na estrada
Esqueci com tempo o que sabia, não tenho mais palavras
Não tenho nada mais a dizer agora…meramente nada
Foi o que sobrou das noites solitárias, vazias e estagnadas
Anoiteço, com a alma de quem já não crê em mais nada
não há luar na noite, nem sol nas madrugadas cerradas
Acabou-se tudo, nem ao menos me sobraram as palavras!

(Catarina Pinto Bastos)

NEM ISTO, NEM ISSO


 Mais vida
Menos dor
Nem sul
Nem norte...

Silêncio e distância
Amor
Abundância
Tristeza
Intolerância
Dentro e fora
Para além de mim
Pontes
Prisão
Viagem
Desilusão
Nem luz no horizonte
Nem porto
Nem cais
Só mar
Infinito
Vazio
Profundo
Para além de mim
Eu sou o começo e fim
E todo o meio.

(Paula OZ)
Pintura de: Anthony Ackrill

ÊXTA-SE... (?)


Beijos
Quentes
Selvagens
Desejo...

Ganância
Pele com pele
No atrito
Se sentem
Profundamente

Corpos
Contração do vento
Fundição
Nos levam
Voar alturas
Novamente
Ansiosamente
Constantemente!

Este é o êxtase... (?)
Ai! que o seja...

(Paula OZ) Poema do Livro: Alma Viajante.

You ~Ofra Haza~


FOI PARA TI QUE CRIEI AS ROSAS


  Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei ás romãs a cor do lume.

(Eugénio de Andrade)