quarta-feira, 14 de agosto de 2013

GOTÍCULAS DO TEU SILÊNCIO


Gotículas do teu silêncio
Exalam desejo,
Tua voz vem como lampejo
Docilidade traduzida em prazer......

És, corpo molhado que acende
A fagulha da paixão e desperta
Em mim a emoção dantes guardada
No escrímo de minh'alma...
Se fazendo pungente...
Fremente e profundamente acordado...
Pelo teu beijo molhado...
Prazer ainda não decifrado...
Teu é o meu prazer.

(RayNascimento)

"NÃO DEVIAM EXISTIR ÚLTIMOS BEIJOS"


Não deviam existir últimos beijos.
Beijos últimos são melhores
têm gosto de nascente
fome de pele...

força de rio
vontade de_mais.

E na foz em_fim
o mar deveria ser de mel
em frémitos aluviais.

Não existem últimos beijos:
há apenas sal revérbero
na memória dos lábios
e instinto navegante
nas sedes fin_ais.

(TT)

Não é no horizonte que fica para além do
...horizonte, nem em tudo o que adivinho no fundo
dos teus olhos, que o poema se inscreve. O
que é infinito não tem expressão através...

de palavras, e o que o teu silêncio
me diz não se pode traduzir neste verso
que dobro para que o teu corpo me surja,
do outro lado da estrofe, como se
houvesse uma outra música no instante
em que dois olhares se cruzam, para
lá do tempo e do espaço de cada um. E
é ao ouvir o que me dizes, por entre
um murmúrio de regato onde se reflecte
o bater de asas do anjo que rasgou
o azul, que sinto a tua presença, como
se a tua mão pousasse no meu ombro e me
puxasse para ti
 
(Nuno Júdice)




Não te quero por fome,
mas sou esfomeado de ti.”

"In Sexus Veritas", de Pedro Chagas Freitas


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Quero Ler-TE...


Quero escrever-te mas não sei bem o quê
porque tu deixas-me sem palavras

e as que tu escreves no céu ...

… naquele céu que é só nosso …
as nuvens bebem-nas como sendo o seu melhor champanhe
ficam embriagadas e até mudam de cor

Por maldade,
não m’as deixam ler
e por isso, não sei o que te hei-de escrever

Vou inventar umas (p’rás castigar) … descrever

Então, acho que elas são feias, são pintadas de um azul desbotado
emaranhado de branco (podia ao menos, ser prateado, mas não)
e andam a monte no céu de lado p’ra lado deixando-o desnorteado

São nuvens irascíveis, também não deixam os pássaros passearem à vontade

Amontoam-se … fazem castelos no ar
deixando só os aviões passar e as garças também … só porque são reais …

De pássaros, só elas conseguem viajar sem serem incomodadas
por estas nuvens tontas e desnorteadas

Ora, ora, então só os reais é que conseguem viajar sem se incomodar?!

Então … e os demais ?! … não são ninguém nem são nada?!

Ó nuvem matizada, deixa-me lá ler o que ele me escreveu no céu
… no céu dos pardais, das palavras, das águias e dos demais …

Todos têm direito a …
… ai viajar …
… até as palavras …

Magá Figueiredo
(ao abrigo do código do direito de autor)


Leonard Cohen - The Gypsy's Wife


MARÉ CHEIA


 És barco, ondulante, no mar de espuma do meu
corpo
e eu...
maré cheia de amor, por ti.

(Ana Fonseca da Luz)