sábado, 6 de abril de 2013



Que medo alegre, o de te esperar.

(Clarice Lispector)


DESPINDO-TE



Oh corpo,
A alma despiste-a

Eu, apenas te dispo a roupa
...
e desnudo,
Corpo quente,
De homem louco
Perdido nos anseios
Que me entregas
e fazem perdida

A minha língua deleita-se,
Num peito,
e desvenda do teu âmago,
Os desejos escondidos

A vontade,
Os suspiros em murmúrios
Que me doas…
Devagar,
As minhas mãos conquistam-te,
Nas palavras caladas que soam,
Quentes,
Dormentes,
Porque tudo é palpitar de silêncios,

És,
O meu encaixe perfeito,
Ninho das minhas mãos,

Deixa-te ficar...

Eu visto-te,
Para te voltar a despir outra vez!


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC


O que eu sinto eu não ajo.
O que ajo não penso.
O que penso não sinto.
Do que sei sou ignorante.
Do que sinto não ignoro.
Não me entendo e ajo como se entendesse.

(Clarice Lispector)


Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso."

(Clarice Lispector)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

http://youtu.be/35EpaYc99TA


ADORO ESTA MÚSICA E ESTA VOZ, MAS NÃO SEI QUEM CANTA, SE
ALGUÉM SOUBER, AGRADECIA QUE ME DISSESSEM. OBRIGADA. BEIJINHOS
OCEANO DE ESTRELAS





Navego num navio sem nome
...
Por oceanos de estrelas e vento
O meu mar não tem fim
Não sei de onde venho
Nem para onde vou
Sigo o meu coração
Pelo longo caminho dos sonhos
Sou como o luar beijando o mar,
como a doce melodia das ondas
Embalando a madrugada
num sereno balouçar.
E a lua nada me diz.
Sou estrela nos teus olhos
sou lua no teu coração
melodia em teus lábios,
Sou canção.
Sou medo de amar
sou solidão.
Havemos de nos encontrar
No fim da luz do luar
E havemos de ficar
E havemos de sonhar
E havemos de acordar
Numa gota de orvalho

(Antares-O-Diário-de-um-Beijo)


Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.
 
(Clarice Lispector)