quinta-feira, 2 de agosto de 2012

AUSÊNCIA




Deitei-me.
Procurei as marcas de ti
no lugar vazio, na minha cama,
mas não existiam mais.
...
Ausência de ti…
Quero chamar-te,
mas as palavras não saem,
estão presas pela emoção.
Toco o lugar vazio ao meu lado…
Acaricio-o, lentamente,
chamo-te.
Onde estás tu agora,
qual a cama que aqueces?
Qual o corpo que tocas?
Olho as minhas mãos vazias…
E choro.
Preciso de ti…
Desespero…
Perco-me num rodopio de pensamentos.
Mas porquê?...
Preciso apagar-te desta cama vazia,
preciso deixar de sentir o teu cheiro
na minha almofada…
Cheiro, que não se apaga mais,
que está impregnado em mim.
Marcou-me como posse.
Sim…
Mesmo assim sou tua,
pois teceste o nosso caminho
nas ondas do meu corpo.

(Espírito Cintilante)

O meu corpo
Transpirado
Do teu prazer
Suado
Almas unidas
Entrelaçadas sem palavras...
...

Bebo-te
O amor que saboreio em ti...


(Paula Lourenço OZ)
QUE MÚSICA ESCUTAS TÃO ATENTAMENTE


ROSA DO MUNDO



Rosa. Rosa do mundo.
Queimada.
Suja de tanta palavra.

...
Primeiro orvalho sobre o rosto.
que foi pétala
a pétala lenço de soluços.

Obscena rosa. Repartida
Amada.
Boca ferida, sopro de ninguém.

Quase nada.

(Eugénio de Andrade)
AS PALAVRAS



São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
...
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

(Eugénio de Andrade)


Procura-se o beijo...Um poema de amor (By Enise)